segunda-feira, 8 de março de 2010



8 de março... só dá elas!

                                       E por ser hoje o Dia Internacional da Mulher, também vou eu fazer homenagem aqui depois de uns bons puxões de orelhas que recebi de uns amigos por ter ficado uns dias sem postagem alguma. É que estou envolvido com as apresentações do Grupo de Teatro Amador da Terceira Idade que se apresentará em Juiz de Fora e a ansiedade tira um pouco a inspiração! rsrs Mas é claro que não vou homenagear falando aqui da minha mãe, ou  das mães dos meus filhos, ou das minhas filhas, ou de tias, amigas, companheiras de trabalho, enfim... Homenageio a mulher através dos personagens femininos das peças que escrevi e, claro, são frutos das várias características que cada uma das mulheres de carne e osso me transmitiram e que, pincelando características daqui e dali, fui construindo o meu mundo do teatro. 
                                     Um beijo então para a Maria das Dores resolvida e contemporânea que correu atrás de seus sonhos e, aos 70 anos, retorna para sua terrinha natal para perceber que ali estava a sua verdadeira identidade; aproveito então para falar da Cinderela na sua eterna busca do Príncipe que lhe poria o sapatinho de cristal e ainda na Dona Nicolina, a beata da última peça com suas lições de moral que na verdade encobrem mesmo sua imoralidade nas atitudes. E este beijo então é da Marly Lopes que deu vida e força para essas mulheres tendo atuado de forma brilhante nas 3 peças já apresentadas pelo Grupo.
                                    E a força da Glorinha, professora solteirona e aposentada que cuidou dos pais e que usa isso para justificar suas frustrações numa vida tão cheia de leituras e tão isenta de emoções? E também a Branca de Neve fantástica e autoritária que ordenava a casa e defendia sempre a participação do idoso na preservação da memória das histórias infantis. Brilhante a participação da Leny Tostes na composição dessas personagens que me envaideceu como autor e como filho vendo-a atuar de forma tão dedicada!
                                   Homenageio agora a Rosa Mística, a dona de casa e mãe dedicada e carola que levou para o seu casamento os "dez mandamentos" como norma de conduta e que se sentia super feliz apesar de nunca ter saído de sua cidade (Degredo) e nem mesmo ter andado de elevador! rsrsrs Obrigado, Conceição Abreu Pestana pela carinho com que deu vida a essa mulher, personagem do Balanço Final.
                                   E a Maninha, irmã de Rosa Mística com sua mudez tagarela que dava comicidade ao texto daquela peça? Só mesmo a Bailarina traumatizada pelo tombo da caixinha de música para conferir à Glória Vargas a fama de quem nem precisa mesmo de texto para demomstrar ser talento também de atriz teatral!
                                  Na Emilia, boneca de pano graciosa e moleca, vemos a brincalhona e despretenciosa que não para de reclamar de sua "desumanização"  em detrimento das oportunidades dos humanos. E depois a Neide Guterres ainda vem na outra peça com sua Dona Modestina inconformada com a velhice e expondo suas dores e dissabores pelo passar dos anos. Grande Neide, gestual perfeito e brilho nos olhos de quem é uma atriz nata e que ainda tem muito que nos apresentar no palco.
                                 O Chapeuzinho Vermelho da Maria Amália para mim foi a maior surpresa entre todas as que se apresentaram nos palcos: começou tão tímida que não imaginei que fosse dar conta! E um dia apareceu lá com um jogo de amarelinha para incorporar à personagem que imediatamente todos percebemos que ela já estava pronta! E só fez uma Dona Laudelina tão introspectiva e maternal da peça seguinte porque eu já apostava minhas fichas nela e pudemos nos deliciar com uma interpretação firme e ousada!
                                Dona Ana Torres, aos 86 anos de idade, foi um marco no nosso Grupo na interpretação das vovozinhas (a do Chapeuzinho Vermelho e a Dona Miquelina nos seus 100 anos). A rabugice da primeira e a serenidade da segunda passaram a emoção de uma atriz feliz da vida por estar no palco, com seus amigos, dando exemplo de vitalidade e alegria na arte de viver!
                               A Mariana, a menina que visita o mundo encantado dos contos infantis, traz curiosidade, preocupação, carinho e  questionamento, provocando o idoso na busca de seu contato com a realidade do mundo atual. E depois não vem a Graça Salim interpretar a Dona Ubaldina, irmã gêmea da Modestina, e por isso mesmo sua defensora nas discussões familiares? Graça tem memória prodigiosa e compromisso com o texto e com a alegria de participar do grupo.
                              A Rosalina da Conceição Moreira traduziu exatamente tudo o que imaginei daquela irmã cozinheira, observadora, solteirona e participativa dos "movimentos" da casa na preparação de uma festa de aniversário. Demorou a tomar coragem para assumir a personagem... mas depois que conseguiu o "time"  certo, arrasou! Valeu Conceiça!
                             Fecho o texto-homenagem com a Brigitinha da Imaculada: a vizinha fofoqueira e barraqueira que se intromete nos assuntos corriqueiros ocorridos na casa que ela observa de sua janela e que não se cansa de opinar, transgredir, invadir! Zezé é humorista de carteirinha! Trouxe o humor rasgado que faltava para o Grupo adquirir maturidade para voos mais altos. Foi tão engraçada que acabei fazendo uma adaptação para incorporá-la como a Dona Baratinha nas apresentações que faremos em Juiz de Fora. Aliás, faremos ainda uma apresentação em Palma, Pádua e Miracema antes de irmos para lá!
                           Obrigado ao Buquinho do Matheus Matos que ajudou ao Príncipe Encantado nesse trabalho com  essas maravilhosas mulheres!
                           Pois é, no ano em que podemos eleger uma mulher Presidente da República, uso meus personagens para homenagear a todas essas que com suas marcas pessoais passam por nossa vida fazendo-a mais cheia de graça, muuuuuuuuuuuito mais feliz !   

Um comentário:

marly disse...

Marcelino.
Só mesmo você para, mais uma vez, me fazer chorar de emoção.
Muito obrigada por suas palavras tão lindas, nos homenageando no dia das mulheres. Mas você pode ter certeza de que, se chegamos a algum lugar neste mundo que premia em primeiro lugar a classe masculina, é porque ainda existem homens que, como você, se preocupam em mostrar a todos que homens e mulheres devem batalhar de mãos dadas para que a vida seja mais doce para todos. Homens sensíveis como você, que enxerga em nós, mulheres, a mãe, a esposa, a filha, as tias, as amigas e as companheiras de trabalho, merecem todo o meu respeito. E você, Marcelino, além do meu respeito, tem a minha admiração, pois, ao inserir o idoso em seu sonho de fazer teatro, mostra uma magnitude sem fim.
Não sei se atuei de forma brilhante como você disse. Mas tenho certeza de que dei tudo de mim, por causa da grandeza dos temas que você, tão inteligentemente escreveu. E da direçaõ que você, tão habilmente fez, conduzindo-nos com palavras de estímulo, ao resultado final.
Os aplausos, então meu amigo, são para você, que tanto bem nos faz.
Qeu Deus o abençõe.